[PODCAST] Do Croqui ao Sonho. A História de Izaac Oliver

Flávio
—Oct 27, 2025
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De São Miguel para o Brasil, com agulha, tecido e muita coragem. Assim pode ser resumida a trajetória de Isaac Oliver, nome artístico de Francisco Ezequiel, estilista que começou a criar roupas ainda criança e hoje assina looks usados por artistas como Simone Mendes, Aline Rosa e Lore Improta. A paixão pela moda, conta ele, nasceu antes mesmo de entender que isso poderia ser uma profissão.
“Eu brincava de boneca, fazia roupa de boneca. Ninguém na minha família costurava. Eu acho que veio de mim mesmo, da veia. Eu já nasci sendo estilista”, relembra.
A infância em São Miguel foi o início de uma jornada marcada por descobertas, curiosidade e improviso. Aos 13 anos, Isaac já criava suas primeiras peças e participava de eventos escolares, desfiles e concursos locais. Foi nessa época que ele teve seu primeiro grande momento: um desfile no CEDOC, em 2006, que chegou a ser destaque no antigo jornal Moçoroense.
“Eu achava o máximo sair no jornal. Aquilo pra mim era tudo”, conta com orgulho.
Aos 18 anos, veio a primeira grande mudança: sair de São Miguel e se mudar para Pau dos Ferros, onde trabalhou por sete anos em uma loja de tecidos. Lá, entendeu que a moda poderia ser seu futuro. “A loja foi minha faculdade da vida. Eu trabalhava todos os dias, fazia vestidos de festa, de 15 anos, noivas, formaturas. Ali eu cresci de verdade.”
Mas a vontade de ir além falou mais alto. O estilista deixou o interior e se mudou para Natal, decidido a estudar e se especializar. O impacto foi grande: uma cidade maior, novos desafios e também o choque cultural de quem vem do interior para o mundo da moda.
“Em Natal, às vezes você não é bem aceito por ser do interior. Mas eu disse: não vou desistir. Tive todos os motivos pra parar, mas continuei”, relembra. Foi cursando moda e fazendo cursos técnicos no Senai que Isaac consolidou seu caminho. E logo entendeu que talento, quando encontra oportunidade, floresce.
Um dos momentos marcantes da carreira foi quando recebeu o convite para criar um look para Aline Rosa, no Carnatal. “Ela ia estar no trio com um look meu. Eu tremia só de pensar. Foi uma das maiores emoções da minha vida.” Desde então, outras artistas vestiram criações assinadas por ele, e seu nome se tornou referência em originalidade e dedicação.
Isaac define seu trabalho como o de um artesão, alguém que acredita no valor do feito à mão e no tempo do processo criativo.
“Eu sou apaixonado pelo que é demorado de fazer. Gosto do manual, do artesanal. Às vezes passo 200 horas em uma peça. Quero mostrar pra pessoa que aquilo não nasce da noite pro dia. Eu valorizo o tempo, o tecido, o fazer.”
Suas inspirações vêm principalmente do passado, do barroco, do rococó e da arquitetura antiga. “Tudo que foi muito bom foi feito lá atrás. Eu acredito nessa ancestralidade. O velho mundo me inspira.”
Mas, por trás do artista consagrado, permanece o menino micaelense que começou costurando em casa. E é com essa lembrança que ele mantém os pés no chão.
“O sucesso não pode subir à cabeça. Eu lembro de onde vim e de tudo que enfrentei. Até hoje guardo cada pedaço de tecido que sobra, porque eu aprendi a valorizar tudo.”
Isaac também sonha em retribuir o que aprendeu. Quer levar cursos e oficinas para São Miguel, incentivando jovens e artesãos locais.
“Eu me disponibilizo a ensinar o que não me ensinaram lá atrás. Só preciso de um espaço e apoio pra isso. São Miguel tem muito talento, muita gente boa esquecida. Falta oportunidade, falta olhar.”
Para ele, moda vai muito além do glamour. “Moda é liberdade de expressão. Vai além de um pedaço de tecido. É você se sentir bem com você mesmo”, afirma.
E a mensagem final que ele deixa para os jovens micaelenses que sonham em trilhar o próprio caminho é simples, mas poderosa:
“Tenha foco. Mesmo sem dinheiro, junte coragem. Jogue pro universo o que você quer. Uma hora dá certo. Eu só tinha coragem — e deu.”